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Discussão sobre qualidade da bacia do rio Miranda avança (12/11/2009)

As discussões entre pesquisadores avançaram no terceiro Workshop para Discussão sobre o Índice de Qualidade da Bacia Hidrográfica do Rio Miranda (IQB-Miranda). O encontro foi realizado na manhã de quarta-feira, 11, dentro da programação do 2º Geopantanal, em Corumbá-MS.

Diversos indicadores da qualidade ambiental da bacia, que tem 43 mil quilômetros quadrados e se estende por 24 municípios, dos cerrados de Mato Grosso do Sul ao Pantanal, foram apresentados e discutidos no encontro.

Participaram pesquisadores da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Informática Agropecuária (Campinas-SP) e Arroz e Feijão (Goiânia-GO), das Universidades Federais de Mato Grosso (UFMT) e Mato Grosso do Sul (UFMS), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Cointa (Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Taquari).

A reunião foi conduzida pela pesquisadora Débora Calheiros, da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS) unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Os indicadores abrangem aspectos da qualidade da água dos rios da bacia, além do grau de erosão, nível de degradação das matas ciliares, nível de alteração da cobertura vegetal nativa, diversidade da flora, fauna e organismos aquáticos, contaminação por pesticidas, ente outros. Segundo a pesquisadora, o objetivo principal é criar uma ferramenta que auxilie os gestores na tomada de decisão sobre os recursos hídricos baseada em indicadores que sintetizam a qualidade da bacia do Miranda como um todo.

Servem como base de dados para construção dos indicadores, além dos estudos já realizados pelos pesquisadores e seus orientados, o Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE) e o Plano de Recursos Hídricos de Mato Grosso do Sul (PERH-MS) e a base de dados de qualidade de água de mais de 10 anos da Semac/Imasul.

“O mais importante é criar mecanismos para manter a qualidade dos ecossistemas da bacia e garantir a sustentabilidade das atividades econômicas desenvolvidas na região, minimizando os impactos sobre o ambiente. Uma ferramenta de base científica é fundamental para perceber a realidade da bacia, os problemas e as causas, e tomar as melhores decisões”, defende.

A parte final da discussão envolveu a possibilidade de se utilizar a ferramenta de georreferenciamento Sisla (Sistema de Licenciamento Ambiental de Mato Grosso do Sul), desenvolvida por um grupo de cientistas coordenado pelo pesquisador João Vila, da Embrapa Informática Agropecuária. Ela poderá ser adaptada como plataforma de geoprocessamento para a a construção do IQB-Miranda.

Segundo João Vila e sua equipe, esta tarefa é possível. “Vamos avaliar e verificar o quanto esta ação irá demandar de esforço computacional e a quantidade de técnicos. Se for necessário, poderemos formatar um novo projeto para financiamento das atividades”, disse.

Uma vez validados pelos membros da equipe multidisciplinar do projeto e do Comitê de Bacia do Rio Miranda, além de técnicos e cientistas externos ao projeto e cidadãos residentes da área, os indicadores específicos e o geral da bacia serão publicados com o objetivo de servir como base técnica para as decisões e formulação de políticas para a gestão da bacia.

“Se quisermos manter a pesca e o turismo de pesca como atividades de importância social e econômica para a região, bem como manter a biodiversidade do Pantanal, temos de pensar de forma integrada tendo a bacia hidrográfica, e sua função de provedora de serviços ambientais (água, peixe etc.), como a unidade de planejamento e gestão com base em conhecimentos técnicos”, afirma a pesquisadora.
 
Calheiros informou que mais alguns indicadores ainda serão discutidos com pesquisadores especialistas em cada área antes da última reunião para validação final do IQB-Miranda, no primeiro semestre de 2010. “Nem todos os índices decididos até agora serão mantidos. Após o processo de validação, os mais relevantes serão mantidos e alguns serão descartados”, explica.

Saulo Coelho Nunes (DRT/SE – 1065)
Jornalista - Embrapa Pantanal
Contatos: (67) 3234-5807 – saulocoelho@cpap.embrapa.br